sábado, 24 de dezembro de 2011

VOCÊ É ATEU? QUE CULPA TENHO EU?

Esses dias fiquei  impressionado ao ouvir as declarações de uma pessoa, que se diz ateu, porque não acredita em Deus. Isso é fato. Quem não acredita em Deus, é considerado ateu. Mas ao descobrir os motivos e as razões dessa pessoa, entendi que ela não acreditava em Deus, por causa dos crentes.  Percebi com isso, que essa pessoa  não era  tão ateu assim. Não havia nenhuma razão contundente para, que de alguma maneira provasse a inexistência de Deus. Há os que dizem desacreditar de Deus, por suas próprias experiências frustradas, por seguirem a alguns ensinamentos, dos quais esperavam o resultado pretendido. Ou seja, passaram a seguir ensinamentos de homens, ou a observar suas práticas, comparando-as à teoria. Quando levamos a questão espiritual para o lado técnico das percepções humanas, caímos em grande laço, pois as coisas espirituais, não podem ser entendidas na esfera meramente física. Esse tema ganha outras vertentes que não apenas a questão do evolucionismo ou criacionismo, temas normalmente que entram em discussão quando o assunto gira em torno da existência de Deus. Percebi, que além dos ateus "científicos", há os que dizem não acreditar em Deus por não terem sido correspondidos da maneira como esperavam dEle alguma coisa. Desses, ouve-se: "Se Deus existisse mesmo, isso não estaria acontecendo"... ou:  "Se Deus existe, que ele faça isso ou aquilo para mim"...

Certa vez, ouvi até de um crente: "Se Deus não curar a minha irmã, rasgarei a Bíblia e deixarei de acreditar nEle".

Praticamente, em quase todas as denominações evangélicas, ouvimos termos como: "determina a bênção...Deus vai realizar o seu sonho; Ele vai fazer um milagre na sua vida; Ele vai dar prosperidade a você", etc.  Mas naturalmente, não há um ensino paralelo a isso, relacionado à  vontade e o plano de Deus para nós. Não existe um entendimento sobre a comunhão pessoal e o que significa bênção.

A "síndrome" de Tomé, persiste até hoje: "Eu só acredito, vendo". Na verdade, Tomé tinha conceitos diferentes sobre a ressurreição. Os saduceus não criam na ressurreição dos mortos, por este conceito que ele aprendeu, precisou tocar em Jesus para crer que era Ele mesmo quem apareceu na casa onde ele estava. O aprendizado - a maneira como aprendemos -  tem muito a ver com a maneira de nos posicionarmos até diante de evidências.

Há um outro olhar que deve ser considerado. As religiões estão associadas a Deus. E todas as práticas religiosas levam naturalmente  àqueles que não tem o conhecimento da verdade, ao pensamento de que Deus aprova todos os comportamentos de seus "seguidores". As vezes, o descrédito nas religiões, acabam afetando a crença em Deus.

FÉ A BASE DE TROCA

A crença em Deus estabelece-se pela
compreensão de sEu amor por nós.

A "grosso" modo, a nossa visão sobre Deus e a nossa crença nEle, estabelece-se de maneira rasa. Ao invés de consultarmos a Deus, sobre a vontade dEle para nós, jogamos os nossos sonhos diante dEle e afirmamos, determinamos que assim queremos. Mas, de quem é a responsabilidade de ensinar? - A nossa crença em Deus não deve ser firmada em frases de efeito, por determinação de uma "querência", apenas. A nossa crença em Deus, precisa alcançar a esfera espiritual. Por ensinamentos equivocados, alguns, que se consideram ateus, deixaram de acreditar em Deus por este motivo: "Tudo o que falam lá, não é verdade".

Neste caso, alguns passam a condicionar a crença em Deus a algum sinal que pedem como prova pelo simples fato de não ser visível aos seus olhos. E, muitas vezes, esses sinais acontecem mesmo, de maneira individualizada; outras vezes não da maneira como se espera. A crença condicional à resposta daquilo que se pretende, é uma crença vulnerável.  Mas até neste ponto, é preciso entender sobre o agir de Deus e sobre os propósitos de suas ações e os planos dEle para a humanidade. 



A  fé, é elemento fundamental para aceitarmos a crença em Deus, ainda que  haja evidências que nos levem a crer em sua existência. A evidência da inexistência (por não ser visível) pode ser considerada pelos ateus como fundamento do que defendem. Por outro lado, alguns consideram os que acreditam em Deus, alguém sem cultura ou instrução, ou até mesmo loucos.  

 Teorias sobre verdade e mentira
sempre terão argumentos. As tentativas de prova,
poderão desviar o olhar da essência.


Na verdade, todas as frustrações humanas ocorrem por expectativas interrompidas, diante do que se esperava. Por isso, erramos  ao tentar materializar a Deus com argumentações teóricas, poéticas ou filosóficas para defender que Ele existe.  

É comum  esperarmos que  algo aconteça, depois de uma promessa, de uma proposta; desistimos ou tentamos novamente por outros meios, quando essas promessas não se cumprem,  ou quando os ensinamentos que recebemos  não condizem com o que vemos na prática, muitas vezes por ensinamentos equivocados, que produzem práticas errôneas e falsas esperanças,  que não condizem com a Palavra da libertação. Há quem se levante prometendo o que Deus não prometeu; falando em nome dEle o que nunca o disse; ensinando o que nunca ensinou. Tudo isso ocorre exatamente por meio das teorias doutrinárias de religiões que exploram a fé das pessoas, sem o devido ensinamento, algumas delas com crescimento vertiginoso, pelas promessas que fazem em nome de Deus "arrebanhando" multidões que buscam uma solução material para os seus problemas.  

Os planos de Deus não são lógicos
diante da mente finita do homem.
Certa vez, entrei numa polêmica com um colega de trabalho numa emissora em que iniciei carreira de radialista há mais de 23 anos. Ele se referia ao assassinato de uma criança pelo próprio pai, cujo corpo foi enterrado no quintal de casa, e, em seu programa, no ar, disse: - “Que Deus é esse que vocês falam que não vê uma coisa dessas? Criancinhas morrendo inocentemente desse jeito? Que Deus é esse, que vocês crentes dizem que nos ama e deixa que uma coisa  dessa aconteça?”


Essas dúvidas existem,  porque deixamos de ensinar sobre o amor de Deus e o que ele significa; deixamos de falar sobre as marcas que o pecado deixou na humanidade. Deixamos de pregar em nossos programas, que no mundo, todos teremos aflições como essas, e que as promessas de Jesus é de um novo céu e nova terra em que habita a justiça; é porque deixamos de falar que, neste mundo, todos sofrem: os bons e os maus; os justos e os injustos.

Este é um ponto forte que leva muitas pessoas a desacreditarem de Deus ou buscar alguma outra religião que traz algum conforto apresentando que há uma vida após a morte.  Deixamos de falar do grande amor de Deus, e pregamos o  que muitas vezes, só interessa aos que de igual modo, pensam como nós. Fazemos da religião um “clube” de associados que compartilham das mesmas idéias e que não são capazes de ajudar iludidos a encontrarem o caminho. Satisfazemo-nos apenas com a nossa salvação. Por vezes, gastamos tempo e estudo para provar aos outros a religião certa ou errada; vivemos em torno de doutrinas religiosas, entrando em discussões e debates, mas, por outro lado, deixamos de, silenciosamente, temperarmos a terra. A nossa super exposição como defensores da verdade e das doutrinas de Cristo, de igual modo, transforma-se em um mural, onde as pessoas fazem a leitura, não somente do que falamos, mas do que praticamos. Passamos a atrair pessoas para as nossas teses e teorias, não para a simplicidade da salvação. Alguns tornam-se até referência por meio de seus estudos profundos dos temas mais complexos da Bíblia. Ensinamos as pessoas a aceitarem nossas doutrinas, mas não as orientamos que é necessário conhecer, também,  o poder de Deus.  Na maioria dos casos, as dissidências e o descrédito ocorrem por questões teóricas, da defesa que temos de determinada doutrina, ou do que chamamos de crenças fundamentais - tornando-se elementos principais para tornarmo-nos seguidores de uma religião.  

A teoria e a prática,  pode ser elemento importante  para dar provas daquilo que cremos.  A representação de Deus aqui na Terra,  foi Jesus. A história não contesta a sua existência. Foi Jesus quem revelou a Deus e  elegeu seus discípulos, que  tornaram-se mais tarde Apóstolos, para representá-lo aqui na terra. Os ensinamentos de Cristo sempre tiveram por base a sua  prática. Fé e obras.


A prova da existência de Deus
se estabelece com muito poder
na comunhão pessoal que se manifesta no coletivo.  

Esse ponto pode abrir várias brechas para sermos apontados como     professos seguidores de Cristo. Nós ensinamos que somos representantes de Cristo aqui na Terra e, Jesus falou a nosso respeito dizendo que “somos o sal  da terra e a luz do mundo”.  Algumas frases de efeito e motivadoras, dizem que as pessoas devem ver Cristo em nós. E que este seja o nosso grande objetivo.

Mas, a partir deste ponto, vemos em nós uma insignificância como pecadores, mesmo arrependidos e alcançados pela graça, para nos denominarmos representantes de Cristo.  Quando assim o fazemos, os olhares se voltam para nós e, assim, também, tornamo-nos muitas vezes, como motivo de escândalo ao mundo por meio de nossas ações pecadoras.

Quando nos apresentamos como justos, chamamos a atenção para as boas obras que praticamos e, até mesmo a nossa própria justiça (considerada trapo de imundície) e deixamos de exaltar a Cristo.  

Quando Jesus perdoou a mulher adúltera que deveria ser apedrejada, segundo a lei, Ele estava, também, protegendo os acusadores do julgamento dos outros. Se algum deles tivesse atirado a primeira pedra, certamente seria alvo das observações, por, teoricamente, se apresentar como alguém que nunca pecou.

Hoje, os seguidores de Cristo, teriam a mesma missão. Mas algumas más influências se revelam, quando perdem de vista os ensinamentos de Jesus, e criam suas religiões, preocupados mais com a defesa de suas doutrinas e suas crenças, do que com o Evangelho. A Bíblia considera o Evangelho como o poder de Deus para a transformação das pessoas que cressem em suas palavras. Mas, de que maneira esse Evangelho de Jesus tem sido pregado?

A maneira equivocada de ensinar  ou  praticar, leva muitas pessoas a fazerem idéia errônea a respeito de Deus.  E nós, Cristãos, tornamo-nos responsáveis por induzirmos pessoas ao erro e, ao mesmo tempo, levar à frustração aqueles que buscam pelas exterioridades o exemplo que damos.

O que devemos entender é que Deus está acima das religiões e dos conceitos e teorias humanas.

A Salvação em Cristo  e sua  graça,  na essência,  leva-nos a Ele. A obediência a Ele é segundo os seus ensinamentos.  
A Fé deve nos conduzir à cruz de Cristo
Não às expectativas humanas.

A morte de Cristo atraiu a todos para Ele.  Quando os nossos argumentos, defesas de fé e doutrina, chamam a atenção para a crença e a religião que  temos, não a crença em Deus e na salvação eterna em Cristo, correremos também o risco, de afastarmos pessoas da fonte da água da vida que sacia eternamente.

Quando os seguidores de Jesus, chamam a atenção para si mesmos, elegendo-se como  representantes dEle aqui na Terra, correm o risco de levar ao escândalo os que buscam em nosso exemplo, o espelho.  O exemplo de Cristo sempre será Ele mesmo. Independentemente das posições e defesa da fé que cremos, Deus é Deus.  E é Ele a fonte de toda a sabedoria e entendimento. O que não devemos é furtar das pessoas a reflexão sobre Ele e seu maior plano para o mundo: a Salvação.

É por assumirmos posição que não nos pertence, que ajudamos a dispersar as ovelhas do rebanho de Deus. Ao "arrancarmos" Cristo da Cruz, e colocarmos em seu lugar as religiões, é o nosso próprio exemplo que daremos ao mundo.