domingo, 11 de dezembro de 2011

VAI UMA CERVEJINHA AÍ?

             Esses dias, minha família foi convidada a participar da confraternização entre os vizinhos do condomínio onde moramos. Foi rateado um valor e um tipo de alimento que cada um levaria. Ficou assim combinado. Além disso, houve troca de presentes entre os vizinhos que participaram do “ amigo oculto” .

Eu acabara de chegar, cumprimentando os que já havia cumprimentado no elevador; outros, que ainda não conhecia, - por causa do horário de trabalho – o que impossibilitava nosso encontro.
Fiquei meio sem ambiente entre os moradores mais velhos do prédio, que conversavam coisas em comum; falavam de seu time de futebol – entre uma lata e outra de cerveja.
- Chega para cá, convidou-me um vizinho, com muita simpatia.
-Tome uma cerveja com a gente!


Item quase que obrigatório em reuniões entre amigos,
a cerveja ainda é uma droga tolerada socialmente.
-Não, muito obrigado, respondi, com a mesma simpatia com a qual havia me oferecido. Mas ele insistiu: - Toma pelo menos uma?! – foi aí que tive que responder que não tomava bebida alcoólica. Aliás, bebida alcoólica nunca "subiu" à minha boca - e nunca foi, para mim, uma tentação.
Estávamos diante de pessoas conhecidas, vizinhos receptivos, simpáticos – mas não podíamos participar da mesma comida e da mesma bebida que eles.
Estávamos alí, naquele ambiente agradável, entre pessoas que se respeitavam.  Pessoas comuns, como cada um de nós. Falavam de vida, de esperança, de sonhos... dos problemas políticos e até mesmo sobre uma vizinha idosa, que mal havia se recuperado de um AVC e semanas em coma  no leito de um hospital. Alegremente recebia abraços e beijos dos vizinhos mais chegados. Ela distribuía– sorrisos, mesmo com a rigidez da expressão facial por causa do derrame que sofreu.

Estava ali, com o marido, de igual modo idoso, mas com uma alegria de viver impressionante. Ajudaram-na a sair da cadeira de rodas para que assentasse como todos os demais numa cadeira estofada, confortável.
Chegou o momento das trocas de presente, mas antes, o síndico dirigiu-se aos demais, mencionando a minha família morando no local a pouco mais de 4 meses:

_Aí está a família do Elias. Eles são evangélicos, e eu peço agora ao Elias a fazer uma oração para nós.

Fiquei meio desconsertado naquele momento, agradeci a receptividade dos amigos e convidei-os, então, a orar comigo. Não sabia ao certo as palavras que usaria para orar em meio a pessoas que não são evangélicas e, alguns, naquele momento ainda com latinha de cerveja na mão e taças de vinho.


Fartura e variedade à mesa, pode roubar-nos a reflexão
sobre o que o alimento
significa para o nosso corpo e o bem-estar que  promove.

Mas todos alí foram receptivos e demonstraram muito respeito às coisas espirituais. Naquele momento, orei pelas famílias; que os corações estejam unidos em amor e amizade; que cada um pudesse valorizar o que o dinheiro não pode comprar – que reconheçam que diante dos problemas deste mundo, acreditem que há esperança e um mundo melhor no porvir.
Não sabia a linguagem a usar, diante de pessoas que ainda não conheciam o que minha família conheceu.
Mas uma coisa é certa: entendemos, que em todos os ambientes nos quais somos convidados ou inseridos por  nossa relação social, todas as pessoas compartilham dos mesmos anseios; buscam as mesmas coisas, desejam sempre o melhor. Todas precisam de amor, de paz, de harmonia. O que mais precisam diante disso, é encontrar o caminho.

Por isso  acho  fantástica  a  mensagem das Boas Novas de Jesus. Ela é sem distinção. É para todos.

Senti-me aliviado, finalmente pela resposta após a oração, na expressão de cada rosto; pelos gestos e o profundo respeito que demonstraram às palavras de vida.

Elias Teixeira