sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O LÁ E O CÁ SÃO A MESMA COISA. NÓS É QUE MUDAMOS DE LUGAR.

A SENSAÇÃO DE BEM ESTAR OCORRE ONDE SENTIMO-NOS ÚTEIS E NECESSÁRIOS

Elias Teixeira - 1999

                Assim comentei com colegas quando disseram sentir-se incomodados com uma sensação estranha de eu ter deixado de fazer parte da equipe da qual participei por muitos anos. Aliás, o quadro do qual participei por telefone, assim como outros tantos colegas de emissoras locais,  fui eu mesmo quem criou vários anos antes. Recebi as palavras com carinho, por ter vindo de colegas com os quais convivi e muito aprendi. Para ser mais preciso, da construção desse programa tive o prazer de participar, juntamente com um velho colega de trabalho, José Antonio Ferrari. Foram anos de muito empenho, em que a Rede Novo Tempo de Rádio criava uma linguagem própria para seu radiojornalismo - o seu perfil editorial, as sugestões de pauta e um departamento  que criou vários outros programas, até mesmo de cunho religioso, com base nos acontecimentos no mundo. As notícias, em muitos casos, serviam como material para a produção de temas com a finalidade de apontar para a esperança vindoura. O slogan adotado, A VOZ DA ESPERANÇA, passava assim a cumprir seu papel na prática. É possível transmitir esperança em todo o contexto social e político, comportamental e religioso que o mundo vive atualmente.

Não importa o lugar. Sempre levei comigo este pensamento. Onde estamos não importa, e não é o lugar que nos torna melhores ou piores: é o que somos e como fazemos. Isso nos acompanha por toda a vida.

Elias Teixeira - 2011
O lá e o cá, são a mesma coisa, quando levamos conosco esse princípio. A altura ou a profundidade não fazem diferença, quando, para cima ou para baixo, o foco de nosso pensamento é algo que não pode ser acorrentado por determinados conceitos.

Nosso papel não depende de cenário.

Fiquei pensando na visão que muitos criam sobre os que evoluem para uma nova etapa na vida, deixando de fazer parte de um determinado grupo seleto e cheio de possibilidades para executar de maneira desafiadora  a missão que abraçaram. Impressionado fiquei, ao observar, como tantos se chocam com as mudanças que outros permitem que ocorram em sua vida, abrindo mão da "vitrine" para caminhar pelas avenidas. De sair do "aquário", para nadar em meio a multidão comum, mesmo tendo que enfrentar os perigos que oferece o afastamento da zona de conforto.  A falsa sensação que construímos sobre os recursos que possuímos no âmbito das possibilidades privilegiadas,  torna-nos tentados a cair no "pecado" de imaginar que "rico somos, estamos enriquecidos e de nada temos falta". Mas, de fato, precisamos avançar mais.  Para conhecer como o mundo precisa de nós, e o que pensam, como reagem à mensagem que transmitimos e o que sentem, precisamos caminhar com eles, pisar o mesmo chão, e até viver a realidade que vivem. Senão, nossa mensagem continuará agradando apenas aos que gostam de nós, aos simpatizantes da nossa crença. Lá ou cá, o nosso papel precisa ser o mesmo. Tanto com príncipes quanto com plebeus. Tanto no aquário, quanto no mar. Se a mensagem for a mesma, e mesmo o propósito, não importa o lugar, se permitirmos, de fato, que Deus conduza a nossa vida.

Elias Teixeira