sábado, 10 de dezembro de 2011

ENTRE O LÍCITO E O CONTRADITÓRIO



Todos os que são designados para o trabalho de produção, redação e apresentação, além de profissionais qualificados, de igual modo, precisam estar afinados com a linguagem da Igreja. Uma referência secularizada, jamais poderá ser utilizada, por comprometer a essência da mensagem transmitida.
O sal que não salga e a luz que não alumia, não cumprem seu real papel.  Quando somos tentados a sermos multiplicadores do pensamento coletivo, passaremos como mais um em meio a multidão. E se fizermos, no "meio termo", a tendência é que as atenções nunca se voltem para a mensagem que transmitimos, por perdermos a credibilidade.  "Equilíbrio" não pode ser utilizado apenas como um estilo de boas maneiras. O posicionamento jamais deverá ser ignorado, ainda que essas posições se tornem impopulares.


Toda e qualquer mensagem que se contrapõem à filosofia que uma emissora confessional defende, torna-se contraditória. Exemplos claros são programas de auto-ajuda, com linguagem menos proselitista para alcançar um público diferenciado. É preciso muita atenção nos textos prontos, em seus autores, e o que pretendem. O jornalista cristão deve verificar com visão crítica os detalhes do texto e identificar seu propósito. Copiar e colar apenas, é um grande risco e pode comprometer a credibilidade editorial.
É possível, por exemplo, que em alguma mensagem para despertar a atenção do público para a maneira como pessoas se relacionam, citando o “porco espinho que  aprendeu  com o tempo a segurar  seu espinho sobre a pele, a ponto de não ser expelido a atingir seus irmãos. Esse “aprendizado” do porco espinho é um pensamento evolucionista. Se a nossa visão e defesa é da teoria criacionista, caímos em contradição, mesmo com ilustrações positivas, cujo objetivo seria o de chemar a atenção para boas relações entre pessoas.
Os evolucionistas crêem que esse animal tenha garantido sua manutenção exatamente por esse controle. São mensagens com exemplos importantes, quando o objetivo é aplicar ao nosso comportamento, sugerindo-nos maior controle sobre as nossas emoções que poderiam ferir aos outros. Sob o ponto de vista social, é uma mensagem forte, necessária e convincente. Porém, a sua “fonte” destoa da linha defendida. Há muitos outros temas de importância social, cultural e  comportamental que os meios de comunicação devem abordar. Contudo, é preciso definir sua abordagem.
Um mesmo tema pode ser “explorado” de várias maneiras. Tratando-se de emissora de proposta cristã, suas abordagens não devem negar suas crenças, dando ênfase nos pontos de maior importância de seu editorial. 
Um exemplo são fatos que não passam despercebidos, como a morte de um artista famoso, um astro da música pop ou um líder religioso renomado. Notícias como essas num veículo cristão podem ser evitadas, mas se forem veiculadas, devem ser feitas de maneira objetiva e discreta, sem detalhes que promovam essa figura popular ou que ridicularizem seus comportamentos.  Se um artista morre de overdose de medicamentos, ou por uso excessivo substâncias tóxicas, a abordagem merece alerta sobre o mau uso de medicamentos controlados e o perigo das drogas.
Nesse caso, a causa da morte deve ser o ponto da notícia mais importante, o " gancho"  para ser explorado.  Quando o caso é de violência infanto-juvenil, o caso não deve ser explorado apenas como crime e a defesa acalorada de maior punição para os menores infratores ou criação de leis mais rígidas, como o alvo a seer atingido. O ponto mais importante, seria discutir a estrutura familiar e social  moderna,  na qual esses jovens estão inseridos; seu estilo de vida, as perspectivas sócio educativas, etc.  O meios de comunicação concedidos à    instituições religiosas deveriam, em sua essência, ser uma voz alternativa aos conceitos superficiais, da crítica pela crítica, ou da reprodução do pensamento coletivo, ou seja, informar o que todo mundo quer; fazer o que todos esperam, falar o que todos gostariam de ouvir, ou discutir o que está na “moda”.  Na  prática, a repercussão desses conceitos não exerceria papel sugestivo para a transformação da sociedade de maneira justa. Notícias relacionadas ao carnaval, por exemplo,  podem ser destacadas de maneira a não promover a festa, mas suas co-relações com a violência, o abuso de bebidas alcoólicas e outras drogas; o turismo sexual nessa época do ano; doenças sexualmente transmissíveis  e acidentes, isso, claro, respaldado em dados estatísticos ou factuais. Nesse caso, há que se fazer pesquisas para embasar a abordagem. Em linhas gerais, a mídia prefere não divulgar pontos negativos da festa, exatamente por sua linha editorial que visa promover esse evento que, por outro lado, promove o comércio, as vendas, o turismo, consideravelmente viável para a sustentação comercial das emissoras de TV, rádio, revistas, etc, pelos contratos publicitários. Em vários outros casos, até mesmo notícias políticas ou de mercado, é preciso observar o que é fato e o que é publicidade. É muito comum lermos notícias que mais parecem promoção e propaganda. A análise crítica e a busca detalhada de alguma informação nesse nível, pode resultar num texto mais claro sob o ponto de vista do factual com relevância informativa.

Sala de redação e produção - Rádio Novo Tempo - Londrina PR

ABORDAGEM


Se a mídia de um modo geral repercute notícias que promovam alguma bebida alcoólica como benéfica ao coração, por exemplo, é preciso aprofundar a discussão com médicos e especialistas que tenham opiniões diferentes sobre o tema; se assim não for, esse tipo de notícia pode ser descartado dos noticiários da emissora. Outra contradição seria promover eventos de outros grupos que filosoficamente não compactuam da mesma crença, ou divulgar  produtos duvidosos sob os pontos de vista saudável, ético ou religioso ou que se chocam com os  princípios de fé defendidos pela linha editorial da emissora.   Não é preciso aqui passar detalhadamente o que poderia ou não ser veiculado, mas em linhas gerais é necessário que o editor jornalista observe detalhes que porventura venham trair a boa fé. Dessa percepção, depende todo o trabalho executado para que seja convergente sob todos os aspectos.  

Mais que ser jornalista ou comunicador, é importante que esses profissionais que prestam serviço a um veículo da igreja tenha essa percepção e conhecimento sobre os princípios de fé, defendidos por sua organização. Podemos estar fazendo até coisas lícitas, sob o ponto de vista social, mas contraditório em relação ao que se crê.

 Elias Teixeira