sábado, 17 de dezembro de 2011

DE CRISTÃO PARA CRISTÃO


A vida Cristã é de perseverança e fé, que jamais
deverá ser trocada pela sensação de suficiência.

A vida prática nos ensina muito mais do que as teorias e os  discursos. É muito fácil falar a alguém que a dor vai passar, que as coisas são assim mesmo e que o sofrimento faz parte da vida. Parecem palavras motivadoras, mas, de fato, ninguém conhece a dimensão da dor do outro.

Quando o nosso discurso, na prática, não se aproxima da realidade que o outro vive, dificilmente surtirá efeito. Serão palavras vazias. Porque, neste caso, quem leva a mensagem,  consequentemente passa a ser visto como referência. 



A nossa luta será sempre vã, onde não existir união de propósitos – em que o sentimento alimentado no coração de uns, é diferente do projeto de vida de outros.

É preciso mais que reação, para que o que pretendemos, seja realmente um desejo compartilhado de todos. Mas será uma atitude egoísta desejarmos  que todos entendam os nossos propósitos. Por isso, quando alcançamos uma escala de maturidade espiritual, é difícil permanecer estagnado.  Na escala terráquea, e mais baixa da dimensão humana, é preciso buscar a divindade para sobressairmos de situações onde as ações se resumem na luta frenética para manter cargos e posições. Se o trabalho  perder o propósito vocacional - ou seja, o propósito para o qual fomos chamados, na função de servir  ao semelhante, toda a nossa atividade assume identidade antagônica.


É na dificuldade que uma missão se confirma.
A lembrança do sofrimento dos nossos ancestrais, a dedicação dos pioneiros, o zelo pelo serviço, não deverá ser usada apenas para justificar os avanços de hoje,  que respalda o nosso conforto e fartura,  ou  para dar suporte ao nosso discurso positivista, ou até mesmo utilizada como motivo de dispendiosos investimentos visando  inovações da estrutura física. Mas diante disso, é    necessário  que  o espírito (dos pioneiros), ou seja, a idéia, a prática de sua missão,  seja mantido em toda a esfera de organização do trabalho que pretendemos exercer como cristãos, mesmo tendo que justificar as "inovações" pretendidas diante de uma geração alheia à própria história.

Em todo o tempo, o propósito deve ser mantido. O conforto
E a sensação de poder, pode desfocar a nossa visão
dos princípios ora defendidos.
Pela experiência acumulada na vida, pela realidade empírica, entendi que a paciência não é “vencida” somente  pela falta de fé, como aprendemos. Temos fé na eternidade, mas antes disso, como seres naturais, depositamos fé em quem consideramos filhos do mesmo pai, que sonham os mesmos sonhos, que partilham a mesma crença, que comem da mesma comida.  A paciência é afetada pelo cansaço. Cansaço pelo desajuste entre o material e o espiritual; pelas contradições vivenciadas entre o que se fala e o que se pratica, até mesmo aceitando tendências seculares e, nelas, nos espelhando, sob o pretexto de que o mundo mudou, de que é preciso uma nova mensagem, uma nova semente a ser plantada. A mensagem é a mesma. A semente é a mesma. 

Na verdade, num mundo de espírito  imperativo que alastrou-se como erva daninha em todas as escalas onde o ser humano atua, essa realidade não mudará por nossa visão de propósitos adversos. É preciso recuar. Recuar, quando o jogo do poder, superar a vontade de Deus para nós; recuar, quando a verdade e a sinceridade tornarem-se ameaça aos interesses humanos; quando a "amizade"  do mundo começar a minar o nosso relacionamento e amizade com o Criador. Recuar sim. Recuar para mudar, para tomarmos uma posição, para rogar a Deus que nos faça vencer os sugestionamentos mundanos e temporais, com os quais tendemos a nos acostumar. Recuar para refletir a nossa vida espiritual e nos abstermos de todo e qualquer elemento que nos tornem divididos entre dois pensamentos.    

O recuo pela reflexão e contemplação dos propósitos,
ajudam a mostrar a direção a ser retomada.





Quando atendemos ao chamado para uma missão sagrada e santa, esse espírito deve permanecer. É preciso mantermo-nos incontamináveis com as coisas mundanas. Se desejamos a eternidade, essa missão precisa sustentar-se  nesse propósito. Difícil é continuar na seara onde essa semente não germina. Não é possível desejar a eternidade, ao mesmo tempo em que fincamos  raízes na terra, deixando se perder o que Jesus disse a nosso próprio respeito: "Vós sois o sal da Terra e a luz do mundo". 
A causa de Deus que defendemos na Terra não deve
ser tratada como um negócio.

Não é possível cuidar das coisas santas e, ao mesmo tempo, dos nossos próprios negócios em nome de Deus, no exercício do privilégio das   posições que ocupamos.    O recuo, o recolhimento de alma, é uma decisão que pode levar-nos à reflexão sobre o que estamos dizendo e fazendo. Nem  sempre, todos alcançam a maturidade que pretendemos que alcancem. Há os que ouvem a voz do Espírito Santo; há também aqueles que se estribam em seu próprio conhecimento, como se fossem "procuradores de Deus na Terra."  Em relação a esses, nada podemos fazer. Nesse caso, é aceitar o que não podemos mudar nas pessoas, mas não negando-as a orientação sobre a vontade de Deus para a humanidade. 

Mas numa estrutura organizada e definida,  os propósitos para a qual foi criada precisam prevalecer. A obra de Deus não necessita apenas de administradores reconhecidos por sua austeridade e competência gerencial, por seu olhar técnico e espírito empreendedor. Essas competências precisam estar aliadas ao princípio do amor ao serviço como verdadeiro diácono; amor a Deus e ao próximo. É preciso que o escolhido para exercer tão importante missão, busque o aperfeiçoamento no lidar com pessoas, desenvolvendo espírito complacente e generoso com os pequenos. A obra de Deus precisa de homens que agem segundo sEus propósitos. A igreja enquanto instituição, deve estar afinada com os desígnios de Deus,  como instrumento de sEu amor. E quando esses propósitos prevalecem, morre-se o individualismo, a própria  vontade, os desejos pessoais. 

Não seremos “cobrados” por aquilo que não sabemos. Seremos, sim, julgados por aquilo que sabemos e não praticamos.