sábado, 31 de dezembro de 2011

A ALEGRIA É ESSENCIAL


Uma marca de refrigerante postou uma enquete perguntando o que as pessoas gostariam de ter no ano novo, entre as opções: paz, saúde e alegria.

Fiquei observando a estatística da enquete,  que  na verdade não tem valor científico, mas, de algum modo, aponta o que as pessoas de um modo  compartilhado  desejam.

Alegria vem em primeiro lugar; seguido de saúde; a paz vem em última colocação, segundo a votação da enquete.
Alegria é imaculada

Isso mostra o grande interesse que temos pela alegria. Podemos até perguntar:  mas como alcançá-la, sem  paz e sem  saúde?

É bem verdade que o desejo maior é pela alegria, mas seu alcance depende de elementos dos quais não temos o controle. É por tentar controlar a alegria por nossos métodos, que deixamos de vivê-la essencialmente. E também é verdade, que momentos alegres poderemos viver diante do que gostamos de fazer ou sentir.  Nesse ponto é que devemos dar atenção. Quando busca-se a alegria como um fim, apenas, desprezando seu princípio, poderemos sim, viver uma alegria fugaz.  E parece que é essa alegria que todos nós conhecemos, e é esta que é sugerida. Passamos, com isso, viver em torno de uma ideia coletiva de que ela precisa ser provocada de alguma maneira. Criamos situações e elementos que estimulem essa alegria. A alegria de momento. Sim, essa alegria é aquela produzida pelas sensações imediatas, no momento em que pensamos unicamente em nossa satisfação.

Aliás, ninguém pode sentir sua alegria. A satisfação é sua. Se o motivo da sua alegria é a alegria dos outros, poderá em certo momento, sentir-se desmotivado. É algo pessoal. Você pode até contagiar aos outros, mas dificilmente os outros sentirão essa alegria  como você sente. Podemos ser alegres, até por uma sugestão externa, mas cada indivíduo, de acordo com suas sensações e percepções, decodifica os signos (sinais)  conforme a maneira de identificá-los. Há alegria coletiva. Essa vem por sugestões. Mas nem sempre ela alcança a todos de maneira uniformizada. Cada indivíduo tem seus motivos particulares. A alegria solitária dificilmente poderá ser entendida pelos outros. É aquela sensação que sente o coração com a imaginação de boas lembranças; de uma frase de alguém; dos gestos de um filho. As vezes rimos sozinhos, e ninguém tem noção do que isso significa.
A vida tem seus próprios motivos para alegrar


Mas essa é a alegria que fica. Alegria é algo espiritualizado, que se impregna no coração da gente. Podemos viver essa alegria, em todos os momentos, porque já faz parte da nossa vida. São as impressões positivas que sobrepõem àquilo que podem causar tristeza. Alegria é um foco. Nela devemos  mirar para desviar o olhar das coisas que nos machucam. É algo inexplicável, alheio às questões físicas.

Não é como o conto de uma piada que precisamos entender para rir. Não são as gargalhadas da platéia orquestrada por um animador que acaba contagiando a todos.

Alegria não se discute. Alegria se vive. E vivemos essa alegria, simplesmente  porque  estamos  presentes. Alegria é preexistente. Ela é essência, não um resultado – é como o desabrochar da flor e o nascer do sol, que não regem em si mesmos a força vital. É como o brotar de uma semente, que por si mesma não tem controle.
Em busca de alegria
criamos mecanismos para provocá-la


A alegria que temos só toma outros rumos, quando tentamos controlá-la. É o mesmo poder  regente  do Universo, que rege a alegria de viver. Porque alegria, é a vida em sua essência.  Quem poderá explicar?

Controlamos a alegria, quando tentamos buscar um meio para abrigá-la.  Fazemos à nossa maneira. Provocamos do nosso jeito. Alegria é pura, como  a pureza de uma criança que nasce.